Julho de 2010 | edição 71 | ano 8

Vitalidade.

Doenças de fundo emocional não têm cura

Algumas doenças possuem tratamento, mas não podem ser curadas

Isabela Zamboni


isabelazm@gmail.com

Doenças causadas ou agravadas por problemas emocionais afetam pessoas como Helder Encarnação, consultor de web e músico. Helder tem psoríase e possui um blog sobre o tema. Lá, ele relata os problemas em lidar com a doença e garante que o principal deles é o preconceito.

“Creio que a discriminação que o doente com psoríase enfrenta é a maior dificuldade. Entre os afetados são habituais casos de depressão, desespero, tristeza e angústia”, afirma. “Mas há outros empecilhos. Além das lesões típicas da psoríase, que apresentam graus diferenciados de gravidade e extensão, existem, em muitos casos, consequências nas articulações. No meu caso, a artrite psoriática de que padeço dificulta-me muitas vezes a locomoção”, comenta Helder.

Segundo o médico Paulo Sérgio Zeminian, existe tratamento para as doenças de cunho emocional. Os melhores métodos, no caso do vitiligo, são com fotoquimioterapia puva, que consiste no uso de medicamentos que são ativados pela radiação de luz ultravioleta. Já os tratamentos para psoríase são corticoesteroides, coaltar e calcipotriol para as formas localizadas e Acitretina e imunobiológicos para as formas difusas.

Marina Watanabe
”emocional”
Alguns pacientes com doenças emocionais viram escravos dos remédios

Para a professora Maria Marta Battistoni, existem doenças ainda mais sérias relacionadas ao estado emocional do paciente. Males cardíacos como hipertensão e enfarte, câncer, diabete melito, asma, úlcera, colite, doença de Crohn, anorexia nervosa, artrite reumatóide, hipertireoidismo, lúpus eritematoso são exemplos dessas enfermidades. “Em toda doença o aspecto psicológico está presente, portanto o estado emocional sempre interfere de modo negativo ou positivo”, relata a professora.

A gastrite também é uma doença emocional que afeta 50% da população mundial, segundo estudo realizado por pesquisadores da Unicamp. A locutora da rádio Veritas FM, Clarissa Moschin, descobriu que tinha gastrite com 14 anos. “Quando eu estava na oitava série, eu sentia tinha muita azia. Fiz o exame de endoscopia e descobri que tinha gastrite de fundo emocional. No meu caso, as piores crises são quando estou muito nervosa, angustiada ou ansiosa”, diz.

“O controle tem que ser feito através da alimentação. Eu como de 3 em 3 horas para evitar estômago vazio e evito tomar líquido durante as refeições. Outra coisa importante é evitar frituras e comidas muito pesadas, de difícil digestão”, completa Clarissa.

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