August de 2010 | edição 72 | ano 8

ETC.

O lucrativo mercado da Bolsa de Valores

Conheça o mercado de ações e alguns motivos para investir

Vivian Lourenço


vivian.lourenco@hotmail.com

Alguma vez você já pensou em se tornar sócio de grandes empresas como, por exemplo, a Petrobrás ou a Companhia Vale do Rio Doce? Caso nunca tenha pensado, saiba que isso é possível e está ao alcance de muitas pessoas. Quer saber como? É simples: basta comprar ações oferecidas pela Bolsa de Valores. Mas, se seu conhecimento sobre a Bolsa se limita às notícias dadas pelos jornais ao dizerem que “hoje a Bolsa fechou em alta de x por cento” e que “o Dólar fechou o dia valendo tantos reais e tantos centavos”, será preciso saber um pouco mais sobre o mercado de ações.

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    Investir na Bolsa de Valores é investir em uma empresa específica por meio da compra de títulos variáveis, denominados ações, que possuem oscilações diárias. Uma ação representa um título negociável de uma empresa e adquiri-la significa tornar-se sócio da mesma. Por se tratar de um mercado de rendas variáveis, há riscos, tanto de perdas como de ganhos, mas para os que operam a longo prazo as perdas são praticamente neutralizadas.
    Márcio Martins, um dos responsáveis pela Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários na cidade de Bauru (SP), explica que, há cerca de dez anos, quando se falava em investir em ações as pessoas logo pensavam na necessidade de entrar na Bolsa de Valores, além de acreditar que era algo só para milionários. “Hoje isso não existe mais. Há diversas facilidades oferecidas para os que desejam se tornar investidores”, afirma.

    De acordo com Marcus Carnelossi, sócio de Márcio na Corretora, os brasileiros preferem os investimentos em renda fixa, que são títulos com rendimentos pré-determinados desde o momento da aplicação, como é o caso das poupanças, ao invés de investirem na Bolsa de Valores. “Mas esta mentalidade vem mudando e as pessoas estão buscando um tipo de aplicação que rentabilize mais seu capital, pois, na Bolsa há ações que oscilam cerca de 5% ao dia, enquanto a poupança paga 6% ao ano”, afirma.

    Bolsa ou Poupança?
    O que compensa mais: investir na poupança ou aplicar na Bolsa, que apesar de instável pode gerar mais lucro?
    Carnelossi explica que ao investirmos na poupança estamos apenas protegendo dinheiro. “A inflação no Brasil varia entre 5% e 7% ao ano e o que acontece é que a poupança reembolsa o que a inflação consome”. Segundo o corretor, algo bem diferente acontece com a Bolsa. “Quando se aplica em ações, há o investimento em uma empresa que vai gerar resultados e distribuir lucros. Investe-se no setor produtivo da economia. Em longo prazo as ações se valorizam muito mais que a poupança”, aponta.
    De acordo com Martins, muitas vezes só os dividendos pagos pelas empresas são maiores que a rentabilidade da poupança. “O Banco do Brasil, por exemplo, remunera em média de 9% em dividendos, que correspondem a uma parcela do lucro obtido pela companhia”.

    Divulgação
    ”bmfbovespa”
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    Como investir?
    Para que pessoas físicas possam realizar investimentos no mercado de ações, é preciso procurar uma corretora filiada à BOVESPA. São instituições credenciadas que possuem autorização para comprar e vender ações na Bolsa para os seus clientes. “A partir deste momento já é possível negociar as ações na Bolsa. É feita uma transferência de valor, da conta do investidor para a BOVESPA, e por meio dos relatórios enviados das corretoras para os seus clientes. Esses últimos podem emitir ordens para comprar uma ação ou para vendê-la”, explica Carnelossi. Ele ainda lembra que os iniciantes devem procurar muitas informações no mercado e começar com investimentos pequenos, para que possam se acostumar com as variações do preço das ações, já que se pode pegar um mês de desvalorização da Bolsa (o que, de acordo com ele é totalmente normal).

    Os caminhos para investir
    Existem dois modos de investir. Um deles permite que o cliente de uma corretora atue diretamente de seu computador, pelo sistema denominado Home Broker. Algo semelhante aos serviços oferecidos pelos bancos na internet (Home Banking), os Home Brokers são interligados à BOVESPA e permitem que o investidor realize online a compra e venda de ações. Neste caso, as corretoras cobram em média de 15 a 20 reais a cada operação realizada.
    A outra forma acontece quando as operações são realizadas dentro da corretora. Nestes casos há uma tabela estabelecida pela BOVESPA que determina os valores a serem pagos pelo investidor. Acima de 3 mil reais são pagos 0,5% por operação mais 26 reais. Para valores menores, de até 500 reais, são cobrados 2% por operações.

    Quanto gastar?
    O dinheiro a ser aplicado varia de acordo com a disponibilidade de cada um. No caso da Petrobrás, por exemplo, com 30 reais já é possível se tornar acionista da empresa. Carnelossi afirma que, “quanto maior o valor aplicado, maior a rentabilidade. Para os que querem começar, com um capital de mil a 2 mil reais já é possível entender a dinâmica do mercado em aproximadamente vinte dias. Passado esse período de aprendizado, o cliente pode aplicar o quanto achar que deve”.

    O perfil do investidor
    Segundo Martins, faz parte do serviço prestado pelas corretoras a identificação dos perfis dos clientes, para que assim possam ser transmitidas as informações do mercado. “A maioria dos homens mais jovens busca papéis de maior volatilidade, com ganhos e perdas em um curto espaço de tempo. Já as pessoas com mais idade procuram uma maneira de fazer uma poupança dentro da Bolsa, por meio da compra de papéis de empresas sólidas no mercado e que paguem bons dividendos”, aponta.

    A escolha da empresa
    Para se escolher a melhor empresa na qual se investir há, como explica Carnelossi, dois tipos de técnicas. Na primeira delas é analisado o desempenho da empresa na economia por meio do lucro que ela possui, sua participação e atuação no mercado. Há também a opção de se realizar uma análise gráfica permite saber todas as notícias sobre determinada empresa: por meio de pontos no gráfico é possível saber se uma ação está muito valorizada ou se ela está com um preço baixo. “Geralmente a análise gráfica é utilizada para avaliações em curto prazo, pois é possível se visualizar o momento pelo qual passa a empresa”, completa.
    Os corretores apontam ainda que, entre 2000 e 2008, companhias ligadas a commodities como a Vale do Rio Doce, a Petrobrás e a Gerdau se destacaram bastante no mercado de ações devido à expansão do mercado internacional no período. “Porém, com a retração da economia mundial, a tendência é que investidores busquem empresas ligadas ao consumo interno e a renda do brasileiro, como supermercados e construtoras. Isso acontece porque a economia brasileira está crescendo enquanto a mundial está retraindo”, esclarecem.

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