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Há mais de 60 anos a política entra em campo junto com a seleção. |
No dia 16 de julho de 1950, o Brasil se calou. Diante de 203 mil torcedores, o zagueiro da seleção brasileira, um negro chamado Bigode, perde uma dividida para Ghiggia e vê o uruguaio fazer o gol e virar não só o jogo, como a história do futebol brasileiro.
Durante anos Bigode, junto com o goleiro Barbosa, ficaram marcados como os responsáveis pela derrota no Maracanã que tirou do Brasil o título da Copa do Mundo de 1950, mas o que poucas pessoas sabem é que no dia anterior a partida, uma comissão de cartolas e políticos brasileiros foram visitar os treinos da seleção, tirando toda a concentração dos jogadores com fotos, discursos e politicagem em um dia importante para a preparação dos atletas para a partida fundamental. O resultado todos nós já sabemos.
Alguns podem achar exagero colocar em políticos a culpa por resultados do futebol, entretanto, ao analisar o histórico das Copas do Mundo juntamente com a trajetória de algumas seleções, percebe-se que a política veste a camisa 12 de vários escretes.
O esporte, desde o Império Romano, é utilizado pelos governantes para entreter a população, fazendo com que as pessoas prestem atenção aos detalhes esportivos e esqueçam do que acontece com a política. O “pão e circo” dos imperadores evoluiu e atualmente o que se vê são políticos utilizando o esporte como instrumento de propaganda.
Em Copas do Mundo, a trajetória brasileira já sofreu alterações graças a essa intervenção, o que nem sempre gerou bons frutos para a seleção canarinho.
Em 1950, na maior derrota do futebol brasileiro, juntamente com a imprensa, os políticos fizeram a festa, o que, segundo Marcelo Dentello dos Santos, estudioso do grupo MEMOFUT, Grupo Literatura e Memória do Futebol, foi fundamental para a derrota brasileira.
“Como era época de eleições, a situação foi fazer propaganda com os jogadores e tomou um dia inteiro de concentração dos jogadores”. Em 1970, o time montado por João Saldanha virou garoto propaganda do governo militar, que tirou proveito da conquista da taça Jules Rimet para expor ao mundo o país do Futebol.
O curioso desta copa ficou por conta da troca do técnico sofrida pelo time brasileiro meses antes do mundial. “O comunista João Saldanha foi trocado por Zagallo que era militar em um momento de repressão à esquerda”, afirma Dentello.
A exposição de um país através de uma equipe esportiva é uma tarefa complicada. Ao poder só interessa a imagem positiva, e nem sempre é isso que um time trás à sua nação, como foi o caso da França e seus jogadores nesta Copa de 2010. “A intervenção da política no esporte é algo que interessa a quem está no comando e uma boa imagem pode ser o diferencial entre o fracasso e o sucesso de um governo”, conta o cientista político Jefferson Goulart.
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