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Além de destruir casas e causar mortes, desastre das chuvas prejudica potencial turístico de Angra dos Reis e São Luiz do Paraitinga |
Os primeiros dias do ano foram marcados por fortíssimas chuvas em todo o sudeste brasileiro, especialmente em duas cidades: Angra dos Reis, no litoral fluminense e São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Os dois locais têm em comum o grande potencial turístico, que pode ter um grande prejuízo com a tragédia.
Angra dos Reis
Nicholas Serrano

Pousada soterrada em Ilha Grande, Angra dos Reis, concentrou o maior número de mortos.
A enxurrada causou desmoronamentos de terra em Angra, os quais atingiram casas e pousadas instaladas próximas das encostas dos morros. O índice pluviométrico atingiu o dobro da média histórica esperada para o período. Na Enseada do Bananal, na Ilha Grande, 32 pessoas morreram. Outras 21 pessoas morreram no Morro Carioca, próximo ao centro de Angra. Há 440 casas interditadas, 63 desabrigados e é estimado um prejuízo de R$ 214 milhões.
"É uma pena que seja passada apenas essa imagem negativa de Angra nos meios de comunicação. Todos os principais pontos turísticos da ilha não foram atingidos pela chuva", lamenta Rivanildo Pereira, responsável por um hotel que não sofreu as consequências da catástrofe. Angra ainda possui 365 ilhas, pousadas, hotéis e casarões históricos que não foram acometidos pelas fortes chuvas.
Rivanildo ainda diz que não houve queda no número de turistas em seu hotel, mas em locais próximos à tragédia a perda foi significativa. William Correa, responsável pelo atendimento aos turistas em um hotel do centro de Angra, afirma que o estabelecimento está "vazio" e que não há expectativa de chegada de visitantes para o resto do verão.
São Luiz do Paraitinga
Roberto Massao

São Luiz do Paraitinga após a destruição das chuvas do dia primeiro.
A pequena cidade de 10.500 habitantes viu a chuva mudar a vida de cerca de 9 mil pessoas. As águas do rio Paraitinga atingiram 10 metros acima do nível do leito e invadiram a cidade. Muitos perderam móveis, eletrodomésticos, carros e casas com a chuva. Segundo a Defesa Civil do Estado de São Paulo, São Luiz está em estado de calamidade pública.
"O prejuízo é de cerca de R$ 100 milhões para a reconstrução da cidade e o turismo deixará de ganhar quase R$ 40 milhões", afirma o diretor do departamento de turismo de São Luiz do Paraitinga, Eduardo de Oliveira Coelho. Eduardo lembra que o turismo será mais prejudicado com a não realização da festa do Divino e do tradicional Carnaval de Marchinhas, que atrai cerca de 180 mil pessoas à cidade todos os anos. Só o cancelamento do carnaval traz o prejuízo de R$ 20 milhões.
Felizmente não houve mortos, no entanto a perda histórica foi imensa. Ana Beatriz Ayrosa Galvão, superintendente do Iphan, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, garante que 80% do patrimônio histórico de São Luiz foi afetado. "As maiores preocupações são com os casarões do centro, a Capela das Mercês e a Igreja Matriz 'São Luiz de Tolosa' que foi completamente destruída", pontua.