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Impunidade e arquivos ainda não abertos representam a época de repressão política |
Causa de polêmicas que resistem ao tempo, a época em que o país esteve sob a ordem ditatorial militar concentra poucas explicações. A tomada da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC, em setembro de 1977 e a “misteriosa” morte do jornalista Vladimir Herzog são exemplos da impunidade que persiste no país.
“O regime militar brasileiro teve características próprias, independentes até da Guerra Fria” comenta o historiador Marco Antonio Villa em artigo publicado na Folha de São Paulo de 5 de março de 2009. E é por esse motivo que muitos alegam que o período foi um atraso na história de nosso país. Opinião essa que não é compartilhada pelo sociólogo e professor da Unicamp, Marcelo Ridenti. “Ao contrário do que muitos imaginam, a ditadura não deixou o Brasil mergulhado no atraso. A ditadura promoveu a modernização da sociedade brasileira. Não uma modernização no sentido social democrático, muito menos socialista, mas que excluía a maior parte das pessoas e concentrava riquezas” comenta o professor em entrevista ao Diário do Nordeste em 1 de julho de 2008. Ele completa: “Ao mesmo tempo dava emprego às pessoas e continuava o processo forte de urbanização, com vantagens e desvantagens, como aumento de favelas e da criminalidade”.
Divulgação

“Há arquivos e arquivos. Há uma parcela deles (que pode desvendar o que ainda é segredo), eventualmente abrigada nas superintendências regionais da Polícia Federal, que tinha uma natureza relativamente oficial. Parte desses arquivos servia de subsídio formal aos processos que corriam nas auditorias militares” comenta o jornalista e ex-preso político Emiliano José, em artigo publicado pela Fundação Perseu Abramo em 31 de março de 2005. O jornalista ressalta a existência de outros documentos importantes. “Mesmo aí, no entanto, uma porção podia permanecer clandestina, ser resultado de anotações obtidas a partir das torturas. E pode, no todo ou em parte, aqui e acolá, ter sido destruída” explica o jornalista.
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